Em comemoração do ano da França no Brasil, São Paulo recebe a maior exposição já realizada no país sobre o fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson (1908-2004). A mostra, intitulada Henri Cartier-Bresson: Fotógrafo, acontece no Sesc Pinheiros até 20 de dezembro, com entrada franca, e reúne 133 imagens clicadas em 23 países ao longo de cinco décadas, entre 1926 e 1979.
Com curadoria de Robert Delpire, são três andares dedicados ao trabalho do artista. No térreo, é possível encontrar 40 imagens que enfatizam a street photography, gênero do qual Bresson foi precursor ao caracterizar flagrantes cotidianos nas lentes de sua Leica, uma das primeiras câmeras fotográficas portáteis.
No segundo andar, 93 fotos estão divididas em duas temáticas, Conflitos e Retratos. Entre as imagens estão grandes momentos históricos registrados, como a morte de Ghandi, na Índia; a Segunda Guerra Mundial, período em que Bresson ficou preso em um campo de concentração até conseguir fugir, e retratos de amigos do fotógrafo, como o escritor Truman Capote, o escultor Alberto Giacometti e o filósofo Roland Barthes.
A obra de Bresson ainda hoje inspira gerações de novos fotógrafos. Por essa razão, pode ser conferida a mostra paralela Bressonianas, de curadoria de Eder Chiodetto.
São 42 imagens, dispostas no terceiro andar, de sete fotógrafos brasileiros influenciados pelo artista francês: Cristiano Mascaro, Carlos Moreira, Juan Esteves e Tuca Vieira, de São Paulo; Flavio Damm, do Rio de Janeiro; Orlando Azevedo, de Curitiba; e Marcelo Buainain, de Natal.
Olho do século 20
Considerado um ícone da fotografia e dono de técnica e estilo inconfundíveis, Cartier-Bresson foi um dos maiores fotojornalistas dos últimos tempos, aclamado como o “olho do século 20”. Começou a fotografar em 1931, sob influência da arte surrealista, “não pela pintura, mas pela percepção do subconsciente”, explica o coordenador geral do projeto Eder Chiodetto.
Nas lentes de Bresson, flagrantes cotidianos não passavam despercebidos, e suas fotos revelam frações mínimas de tempo, em que forma e conteúdo atingem a máxima expressão no visor da câmera. Segundo Chiodetto, o fotógrafo francês era uma espécie de caçador de imagens. “Ele fotografava com o instinto de um caçador que persegue sua presa, com um faro particular para capturar flagrantes. Sua busca incansável era pelo momento em que o universo em harmonia conspira a favor do artista.”
Confira o vídeo sobre a mostra de Henri Cartier-Bresson.