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03/11/2009
Bolívia é no Pari
Por Amanda Gelumbauskas e Fernando Machado

Conheça o pedaço de São Paulo que reúne cerca de quatro mil bolivianos

Aldrey Mère


* Galeria de fotos

Músicas típicas, malhas andinas e muitas salteñas. Isso é parte do que pode ser encontrado aos domingos na Feira da Kantuta, localizada no bairro do Pari, por onde passam cerca de quatro mil bolivianos.


Referência no circuito cultural paulista, a Feira da Kantuta possui 90 barracas e é administrada pela Associação Gastronômica Cultural e Folclórica Boliviana Padre Bento. Ela se tornou o ponto de encontro dessa comunidade que busca se divertir e vivenciar um pouco dos costumes de seu país. Segundo dados do departamento de comunicação do Memorial da América Latina, vivem em São Paulo 110 mil bolivianos legalizados, masa estimativa é que exista o dobro de ilegais na capital.


Segundo o costureiro Santiago Maldonado, a feira é um pedaço da Bolívia em São Paulo. “Estou no Brasil há cinco anos e venho quase todos os domingos. É uma oportunidade para resgatarmos nossas tradições, já que estamos longe de casa. A impressão é que estou no meu país, pelo menos por um dia”, afirma.


Entre as barracas é cada vez mais comum encontrar paulistanos interessados em conhecer melhor a cultura de seus vizinhos. Para aproveitá-la, é preciso deixar que a curiosidade fale mais alto. Só ali, quem nunca foi à Bolívia pode tomar Inca Kola (refrigerante de papaia com limão), refresco de kisa (chá de pêssego desidratado) e mate de coca ou umacerveja Paceña.


Em gastronomia, as opções são diversas. Na feira é possível encontrar a salteña, uma espécie de massa empanada, no formato de uma fogaça, geralmente de carne de porco ou de frango, misturado a um molho doce e apimentado. Há também o Anticucho, espeto de coração de boi, acompanhado de batata e molho de amendoim, também conhecido como mani.


De acordo com a vendedora Maggye Soto, as pessoas primeiramente degustam os pratos para depois perguntarem sobre a composição dele. “Muitos visitantes perguntam sobre as comidas antes de experimentarem e dizem‘não, obrigado’, ‘fica para a próxima’. Mas, quando fazem o contrário, acham impossível não comer até o fim. Basta provar!”, explica Soto, uma brasileira de coração boliviano.


Outra atração bastante curiosa é o serviço de cabeleireiro, chamado pelos bolivianos de peluqueria. Prestado em uma tímida tenda na Feira da Kantuta, os clientes não se incomodam em ter seu cabelo cortado no meio da rua. Pelo contrário, a barraca fica sempre cheia e tem até fila.


Como na vida de todo brasileiro não pode faltar o futebol, essa tradição também foi adota pelos imigrantes bolivianos. À tarde, enquanto as crianças brincam ao redor da quadra ao centro da praça e no meio da feira, bolivianos e paulistanos se divertem em um campeonato de futebol de salão. Os brasileiros que se cuidem: parece que os nossos vizinhos estão batendo um bolão.



Feira da Kantuta
Ouça o que esse ponto de encontro dos bolivianos tem a oferecer.


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