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14/11/2009
Cinelândia Paulistana: glamour dos anos 50
Por Bruna Toledo

Salas de cinema da década de 50 expressavam vida social e cultural de São Paulo

Divulgação


* Galeria de fotos

Nos anos 50, São Paulo concentrava mais de trinta salas de cinema entre as avenidas São João e Ipiranga, o Largo do Paissandú e a Rua Conselheiro Crispiniano. Revelada como principal forma de lazer e diversão, a região ficou conhecida como Cinelândia Paulistana por atrair crianças e velhinhos, sem distinção.

Histórias de faroestes, romances e musicais conduziam espectadores a uma viagem, em que era possível desvendar novas realidades, descobrir países e outros estilos de vida. Prova disso é a memória do cinéfilo Sérgio de Oliveira, que desde os 13 anos frequentava o circuito cinematográfico. “Antes de gostar de cinema, gostava de conhecer pessoas. Meus pais não tinham condições de me mandar à Europa e foi com cinema que pude conhecer o mundo.”

Aos sábados e domingos, famílias de classe média conferiam estreias de filmes europeus e hollywoodianos vestindo trajes glamorosos. Até 1965, no Cine Metro, homens que não estivessem engravatados não podiam entrar.

Com salas amplas e de requinte, os cinemas do centro constituíam templos da sétima arte. A maioria tinha capacidade para acomodar, em média, dois mil espectadores. O Cine Marabá, na Avenida Ipiranga, e o Cine

Paissandú, no Largo que leva o mesmo nome, dispunham de luxuosas salas de espera e elevadores que levavam às bombonieres e salas de exibição. O Cine Marrocos, na Rua Conselheiro Crispiniano, qualificava-se pela construção em mármore branco.

Já na Avenida São João, o Cine Olido era famoso pela apresentação de músicos antes das exibições, enquanto o Cine Comodoro trouxe a novidade do cinema 3D. Simultaneamente, três projetores formavam a imagem e proporcionavam sensação de estar no filme.

Ao sair dos cinemas, sem preocupação com segurança, pessoas caminhavam pelas calçadas. As mulheres gostavam de tomar chá em sofisticados salões e frequentar lojas de departamento, como as extintas Mappin, Mesbla e Clipper. Aqueles que dispunham de melhor condição financeira jantavam na região.

Nos anos 60, o advento da televisão acelerou o declínio desses espaços, fazendo com que muitos virassem edifícios, igrejas, estacionamentos ou cinemas pornôs.

A chegada dos pornôs

Com a liberação dos costumes, no período pós-ditadura, foi permitida a exibição de filmes pornográficos. Em 1972, foi exibido o filme Garganta Profunda, um dos clássicos do cinema pornô, que atraiu milhares de espectadores, inclusive mulheres, e se tornou uma das produções mais lucrativas da história. A partir daí, muitos cinemas tornaram-se exclusivos para exibição de filmes pornôs.

Considerando que os cinemas eram pouco frequentados, segundo o pesquisador de cinema Luiz Gonzaga, os exibidores perceberam que filmes pornográficos eram uma forma de atrair público e lotar sessões. “Os donos dos cinemas não estão interessados em exibir filmes de qualidade. Eles queriam renda e lucro”, afirma o especialista.

Decadência do centro: surgem os shoppings centers

Embora as estatísticas da Secretaria de Segurança Pública apontarem para diminuição da violência, caminhar pelas ruas do centro da capital paulista faz com que pessoas sintam medo e tensão. Para o escritor Inimá Simões, essa realidade fez com que espectadores abandonassem salas de cinema dessa região e procurassem nos shoppings conforto e segurança. “Os shoppings são cidades sob controle em que não se passa perigo algum”, ressalta.

Segundo Simões, enquanto o centro não for recuperado, os cinemas têm pouca chance de voltarem a ser como eram, sendo salas dos shoppings a única opção.

Quer saber mais? O Virado à Paulista dá a dica: salasdecinemadesp.blogspot.com



Cinemas de Bairro
Ouça as curiosidades que o pesquisador Luiz Gonzaga conta sobre cinemas na década de 50.


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