15/11/2009
Atrás das cortinas
Por Aldrey Mère
J. C. Serroni: o mestre da cenografia brasileira
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Divulgação
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Se hoje o Brasil é considerado um dos melhores do mundo em produção cenográfica, muito se deve a obra do cenógrafo J.C. Serroni, artista paulista que iniciou no teatro em meados da década de 70.
Especializado em arquitetura cenográfica, Serroni estudou na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), da Universidade de São Paulo (USP), onde foi aluno do cenógrafo e diretor de arte Flávio Império, pioneiro no entrelaçamento da arquitetura com a cenografia.
Entre suas criações cenográficas, Serroni projetou palcos dos teatros dos SESCs, em que se tornou consultor permanente, reformou e construiu inúmeros palcos brasileiros.
Boa cenografia
Na definição de Serroni, “a boa cenografia é aquela que se traduz com clareza, não atrapalha o espetáculo e está a serviço do ator, na qual com pouco, se fala muito.” A síntese e simplicidade trabalham juntas em suas criações. O uso de símbolos e signos também são ferramentas construtivas, se harmonizam com as outras áreas que compõem o espetáculo, como a iluminação, os figurinos e a sonoplastia em prol do ator em cena.
O uso da criatividade de forma singular resulta na plasticidade encantadora em sua obra, onde é capaz de transformar simples elementos descartáveis em arte, como cascas de alho para construção de um figurino de época ou tiras de plásticos que se transformam em cascatas na cena.
Reconhecimento internacional
Para Serroni, os cenógrafos brasileiros são respeitados no exterior por trabalharem de maneira festiva e liberta, diferente dos países de primeiro mundo. Outro fator determinante é o uso de materiais alternativos, pela falta de recursos, uma constante nas produções brasileiras, que leva os artistas brasileiros a criarem diferenciais em busca do belo.
Em 1985, o Brasil ganhou, pela primeira vez, o mais importante prêmio da cenografia mundial na Quatrienal de Cenografia de Praga, República Tcheca. Desde então, vem se destacando por trabalhar com o inusitado. Atualmente, conceituados cenógrafos estão trabalhando no exterior como Marcos Medina, na Itália, e Gringo Cardia, com o Circo de Soliel.
Aprender cenografia
Aprender cenografia no Brasil é uma questão de persistência, pois não existem cursos específicos para formação de cenógrafo, apenas disciplinas dentro de outros cursos, como o das Escolas de Artes Cênicas da Escola de Comunicação e Arte (ECA), da USP, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).
Em 1998, quando Serroni trazia ampla bagagem profissional entre experiências e prêmios, o cenógrafo fundou o Espaço Cenográfico, escola livre de cenografia na capital paulista referência para pesquisas, reciclagem, intercâmbio e formação de novos cenógrafos.
O espaço oferece de forma democrática uma biblioteca com mais de três mil livros relacionados à cenografia, efeitos especiais e técnicas teatrais, além de exposição permanente dos diversos trabalhos do cenógrafo, composta de maquetes e fotos que mostram o desenvolvimento da arquitetura teatral.
Além disso, promove fóruns, produz um boletim informativo bimestral e possui um banco de dados de materiais e catálogos, além do curso de cenografia, com sua última turma em 2009, pois será transferido, em 2010, para a Escola da Praça, escola de técnicas teatrais localizada no centro da capital. O projeto é iniciativa dos profissionais de teatro de São Paulo com apoio do Governo do Estado e faz parte do projeto de revitalização da Praça Roosevelt, da Prefeitura.
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