O grafiteiro e muralista Eduardo Kobra é conhecido por seus traços detalhistas e criações que refletem o amor pela cidade de São Paulo. Na linha hip hop, começou a pintar na rua no final da década de 80, com a segunda geração do grafite. Cursou Processamento de Dados e trabalhou na Caixa Econômica Federal. Corajoso e persistente, abandonou a profissão para fazer o que realmente gosta: pintar muros. Recentemente, participou do livro Mural Art Book, o primeiro livro sobre muralismo no mundo, representando o Brasil, em grafite.
Inspirado em artistas como Eric Grohe e Diego Oliveira, o muralista adota a técnica da perspectiva. Suas obras parecem criar vida e permitem a interação do espectador. Em 1995, tomou frente do Studio Kobra, que conta com uma equipe de artistas especializados em murais artísticos.
Kobra é autor do projeto Muro das Memórias, e, por meio de cenas do inicio do século, resgata a memória da capital paulista e identifica contrastes da cidade. Em busca de identidade para o seu trabalho é que surgiu a ideia do projeto. “Eu buscava algo voltado para a cultura brasileira, pois há muito tempo eu retratava somente a cultura americana”, explica o artista.
Desde 2006, as principais ruas e avenidas de São Paulo receberam 19 murais assinados por Kobra, entre elas, a Avenida Paulista, que foi a primeira presenteada com um mural da Paulista de 1920. Também receberam a marca do artista as avenidas Sumaré, Hélio Pelegrino, Rangel Pestana, Domingos de Moraes, Belmiro Braga, Morumbi e Henrique Schaumann.
Outro destaque é o mural da Avenida 23 de maio. Com 1000 metros quadrados, ele mostra cenas da década de 20. O sucesso dessa obra fez com que muitos decoradores, arquitetos e sócios de estabelecimentos procurassem Kobra para dar um sabor especial a bares e restaurantes. Os temas são variados, mas geralmente remetem ao projeto Muro das Memórias, trazendo imagens antigas da cidade. “Isso é bom porque traz identidade no meu trabalho e reforça o que eu já faço”, afirma Kobra.
Em junho de 2009, com a pintura de um carro antigo em 3D na Praça do Patriarca, o artista surpreendeu os paulistanos. Para realizar essa obra, Kobra utilizou giz, aerógrafo e perspectiva, dando a ideia de profundidade e relevo. Os traços distorcidos, quando vistos de um determinado ponto, impressionam. A pintura parece tão real que interage com o ambiente e com as pessoas.
Eduardo Kobra no Louvre
Entre 10 e 13 de dezembro, o grafite de Kobra fará parte do Salon National Des Beaux-Arts 2009, exposição que acontece há 148 anos no Museu do Louvre, na França.
Kobra será um dos 15 artistas brasileiros que representarão o Brasil. Para ele, expor em um dos museus mais conceituados do mundo será uma grande referência para o seu trabalho. “Será uma grande experiência. Sou autodidata. Aos 11 anos, aprendi sozinho a técnica do grafite e só no ano passado, tive a ideia de pintar em telas”, se orgulha.
Para a exposição, Kobra levará uma tela de um menino em um balanço, que segundo ele, busca retratar elementos do passado que não existem mais.