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15/11/2009
Dançando pelo mundo
Por Aldrey Mère

Entrevista com Adriana Di Cillo, a dançarina que vive pelo mundo divulgando a cultura brasileira

Alexandre Wittiboldt
Adriana dançando flamenco
Adriana dançando flamenco

* Galeria de fotos

Uma jovem mulher de olhar marcante definem a bailarina e coreógrafa Adriana Di Cillo. Conheça essa paulistana que há 15 anos vive pelo mundo pesquisando danças e divulgando as riquezas culturais brasileiras.

Virado à Paulista Como você iniciou sua carreira e o que a levou sair do Brasil?
Adriana Di Cillo – Aos 14 anos completei dez anos de formação clássica. Estudei dança moderna e contemporânea. Com 20 anos saí do Brasil em busca de aprofundamento técnico e à busca interior.

VP – Quais tipos de dança estuda?
Adriana – Tenho atração por danças folclóricas e populares. Escolhi temas étnicos para coreografar. Me dedico ao flamenco, danças clássicas indianas Bharatanatyan e Kathak, dança do ventre, danças brasileiras e tango. Pratico também Hatha Yoga e Kung Fu.

VP – Como é seu trabalho no exterior?
Adriana – Dou oficinas e aulas regulares, treino e coreografo para companhias locais, dou consultoria e treinamento para empresas com projetos de cross-culture (cruzamento cultural), e escrevo e dirijo espetáculos, integrando as artes cênicas e visuais.

VP – Como é visto seu trabalho fora do Brasil?
Adriana – Encontrei reconhecimento pelo meu trabalho na Califórnia e na Ásia, onde há uma sede voraz de cultura ocidental e, em especial, latina. Conforme o artista caminha, cresce de dentro para fora, constrói seu sonho e transcende fronteiras.

VP- Descreva o seu aprendizado por onde esteve.
Adriana- Vivi nos EUA, Espanha, França e Índia. Atualmente moro na Argentina. Viajei para México, Marrocos, Portugal, Alemanha e Inglaterra. Nesses anos, tentei aprender o idioma dos homens sem fronteiras, que é o dos gestos, aquele que palavras não traduzem.

VP – De todos os lugares por onde andou, qual marcou você?
Adriana – A Índia me impactou, mas é o Brasil que me surpreende. É um país heterogêneo e multicultural, onde encontro mudanças e movimento.

VP – Por que a Índia foi impactante?
Adriana – A Índia é um país de muitos extremos, onde se vê desde miséria até riquezas de fábulas e proporciona overdose nos sentidos pelos seus odores, sabores e cores. Ali se cultivam e praticam tradições milenares, mantendo a história ancestral viva. Mas também é onde já chegou a febre do consumismo, da cultura descartável e da pornografia como formas de entretenimento massivo, consequências da globalização. Quando saí do Brasil, há 15 anos, víamos um mundo sem influências. Hoje, a revolução tecnológica cobra seu preço. Tenho a impressão que a juventude está perdida com o volume de informação, isso gera uma crise de identidade profunda. Há falta de preparo nos jovens para melhor usufruir das ferramentas. Enquanto a humanidade seguir anestesiada pelos prazeres efêmeros e ilusórios do american dream (sonho americano), com seu falso puritanismo, aniquilador da riqueza de diversidade que constitui a beleza de nossa história, a preguiça crônica e a depressão serão parte do nosso cotidiano. É preciso acordar. Então, aprenda a tocar um instrumento, fazer teatro, pegar onda, porque isso nos coloca em contato conosco e cria valores.

VP – Quais são seus projetos?

Adriana – Sigo desenvolvendo minha pesquisa de danças do mundo, agora no berço do tango e da milonga. Estou criando um espetáculo com temática metafísica e sabor expressionista, inspirado no Libertango de Piazzolla, com letra de Horácio Ferrer. Tenho um grupo de flamenco na Sociedad Italiana de Moron e dou oficinas no meu ateliê de dança. Também estou produzindo um vídeo de dança e escrevendo o roteiro para um longa.





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