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03/11/2009
Minoria brasileira lê livro digital
Por Amanda Gelumbauskas

Pesquisa revela que apenas 1% dos brasileiros pratica leitura virtual

Amanda Gelumbauskas




Você viveria sem o seu computador, e-mail, Orkut ou Twitter? Para muitos a resposta é não. Ao pensarmos no mundo moderno, não há como deixar de destacar a importância da Internet para acesso à informação. Novas possibilidades surgem a cada instante. Entre elas, está a leitura virtual, realidade no mercado literário que traz consigo o dilema: será o fim dos livros?

Se depender dos brasileiros, isso está longe de acontecer. De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro (IPL), de um total de 96,5 milhões de leitores do país, somente 1% leem livros digitais, os e-books.

Apesar da baixa porcentagem revelada no estudo, para a professora universitária Magda Gardelli, a leitura virtual é utilizada para pesquisas por possibilitar variedade de assuntos, facilidade de busca, e poderá ser uma forma de democratização à leitura. “Será uma forma de democratização ao acesso às grandes obras literárias se a internet for acessível a todos. É uma questão tão elitista quanto a obra impressa, que no Brasil é cara em relação aos outros países”, ressalta.

Apesar de realizar pesquisas em livros tradicionais, o jornalista Leonardo Pessoa busca informações pela internet e acredita que esse tipo de leitura ajuda a reduzir gastos. “Essa preferência tem relação com o conforto e o bolso. Não preciso fazer esforço para ter acesso à informação e usar a internet para ler ajuda a economizar.”

Se para uns a leitura virtual é econômica, para o estudante Anderson Queiroz, fã das bibliotecas tradicionais, ler no computador é cansativo e, os livros impressos, insubstituíveis. “Não gosto de ler no computador. É desgastante, não tem graça. Os livros possibilitam a leitura onde eu estiver e não deixarão de existir, se depender dos conservadores”. 
 
Diferente da visão do estudante, Magda Gardelli acredita no fim do livro impresso. “Entramos na geração da sustentabilidade. A um longo prazo, teremos somente livros digitais por conta de questões ambientais em relação à confecção do papel. Não estamos preparados culturalmente e economicamente para atender essa tendência agora, mas as pessoas vão se acostumar”, finaliza.

Acervos digitais

Atualmente, é possível fazer download gratuito de obras literárias por acervos digitais como Domínio Público, que pertence ao Governo Federal e conta com mais de 133 mil obras cadastradas desde seu lançamento, em novembro de 2004. O portal contabiliza, até setembro deste ano, mais de 24 milhões de downloads.
Há também a Brasiliana Digital, da Universidade de São Paulo – USP, com cinco mil títulos em sua fase piloto, além de raridades como originais de José de Alencar e Machado de Assis, alguns inéditos no Brasil. Até 2010, estima-se que ela disponibilize dez mil títulos. Suas obras podem ser baixadas ou copiadas e seu acervo é parte do que se encontra na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, com cerca de 17 mil títulos doados em 2006 pelo bibliófilo Mindin.

Cuidados com a visão

Ler por horas seguidas no computador pode cansar a visão, afirma o oftalmologista Ariovaldo Serra: “o fato do computador ser um foco de luz faz com que se tenha sensação de cansaço nas vistas. Isso também ocorre ao nos expormos a outros tipos de claridade”, diz o especialista.
De acordo com Serra, as pessoas devem fazer intervalos esporádicos de cinco a dez minutos para o alívio dos sintomas. Também é indicado o uso de lentes adequadas, que já existem no mercado óptico, para o uso do computador.




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